Dia a dia do RH
January 2022

O que a sua empresa precisa saber sobre employee well-being

O termo em inglês pode atrapalhar o entendimento, mas o conceito de employee well-being se refere basicamente ao modelo de trabalho em que o bem-estar dos colaboradores é considerado uma prioridade para as organizações. Bastante discutido durante a pandemia, quando o trabalho remoto tornou a linha entre vida pessoal e profissional ainda mais tênue, a ideia se tornou um movimento e uma demanda. 

Um levantamento realizado pela Future Workplace 2021 HR Sentiment apontou que  68% dos líderes seniores de RH classificaram o bem-estar e a saúde mental dos funcionários uma prioridade. Atualmente, o mercado de bem-estar corporativo está estimado em US$ 20,4 bilhões só nos EUA e com previsão de crescimento para US$ 87,4 bilhões até 2026. As companhias devem, portanto, criar estratégias para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores. Mas por onde começar? 

Os pilares do bem-estar corporativo

Impulsionados pela quarentena, grande parte das instituições passaram a oferecer flexibilidade no local de trabalho. Outras tantas complementaram isso com benefícios como sessões de terapia, aulas de yoga, planos de academia e soluções de bem-estar corporativo. É um olhar da área de Recursos Humanos para a compreensão que a qualidade de vida dos colaboradores não se restringe apenas às entregas, mas a um conjunto de fatores relacionados à saúde. 

De acordo com o Future Workplace 2021, conforme repercutido em reportagem da Forbes, este ideal de bem-estar pode ser construído a partir de sete pilares: 

Bem-estar físico

Engloba o incentivo a prática de atividades físicas, cuidado com o sono, melhores escolhas alimentares e o estilo de vida em geral. 

Bem-estar na carreira

Muitos colaboradores reavaliaram seus objetivos durante a pandemia e agora estão mais preocupados com o plano de remuneração, o melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional, programas aprimorados de aprendizagem, criação de oportunidades de mobilidade interna e treinamentos para lidar com tantas mudanças. 

Bem-estar financeiro

As finanças são, hoje, a principal causa de estresse dos colaboradores, de acordo com a Pesquisa de Bem-estar Financeiro dos Funcionários PwC 2021. Trabalhadores cujo estresse financeiro aumentou durante a pandemia têm quatro vezes mais chance de se distraírem durante o trabalho e estão mais propensos a procurar um novo emprego. 

Bem-estar social

Amizades na vida pessoal e profissional são alguns dos principais indicadores de felicidade a longo prazo. Construir comunidades fortes no local de trabalho pode ajudar a lidar com os sentimentos de solidão. 

Bem-estar da comunidade

As pessoas querem fazer parte da comunidade local e sentirem a sensação de estar fazendo parte de algo importante para o planeta. Programas de voluntariado pagos com folga remunerada e uma cultura de enriquecimento da sociedade ajudam a engajar e reter colaboradores. 

Bem-estar emocional

Criar programas para melhorar a saúde mental dos funcionários nunca antes na história foi uma prioridade tão relevante para as empresas. Hoje, é notório que este aspecto tem efeito significativo no desempenho do colaborador e de toda a instituição. Desestigmatizar o tema e criar novos modelos de trabalho são compromissos essenciais.

Bem-estar com propósitos

Os colaboradores desejam trabalhar para organizações cujos valores se alinham com os seus próprios e isto se tornou um critério importante na seleção de um novo empregador. À medida que o mercado de talentos continua a aquecer, os novos contratados esperam que sua empresa se envolva ativamente e fale sobre os debates culturais do momento.

O que as empresas podem fazer

O estresse no local de trabalho afeta a produtividade, aumenta a rotatividade e custa cerca de 200 bilhões de dólares todos os anos em custos de saúde, só nos EUA. Não à toa, diversas empresas, ciente desses efeitos negativos, já desenvolveram uma série de iniciativas para neutralizar os efeitos nocivos e melhorar a qualidade de vida dos colaboradores no local de trabalho.

Confira 5 dicas para melhorar o bem-estar dos seus colaboradores: 

Ofereça autonomia 

Os colaboradores que possuem mais autonomia nas suas funções tendem a enfrentar menos problemas físicos e mentais, mesmo que precisem lidar com mais demandas. Um estudo realizado no Serviço Civil Britânico apontou que quanto maior o cargo e, por consequência, menos pessoas tiverem para controlar seu trabalho, menor a incidência e a mortalidade por doenças cardiovasculares

Evite ser aquele tipo de instituição que tenta controlar cada ação realizada pelos colaboradores. No entanto, é importante que esta transição aconteça de forma organizada. Um ambiente caótico pode afetar a motivação das pessoas. Proteja sua equipe do microgerenciamento, da perda de autonomia e do senso de controle dos chefes que não sabem delegar. 

Crie um ambiente sociável

Ter apoio social, de família e de amigos é tão importante para a saúde quanto praticar exercícios físicos ou realizar exames médicos. O local de trabalho precisa ser um lugar de integração, onde pessoas com baixos níveis de sociabilidade possam construir relacionamentos e encontrar suporte. Para isso, as empresas podem, por exemplo, criar práticas que estimulem a colaboração e o trabalho em equipe. 

Atividades que estimulem a competição interna ou que representem as pessoas como peças de produção que estão apenas trocando trabalho por dinheiro são nocivas. Ao invés disso, crie uma conexão sincera com seus colaboradores e incentive as pessoas a cuidarem umas das outras. Garanta que as pessoas estejam menos separadas por títulos e mais unidas como uma comunidade. 

Estimule atividades físicas e uma alimentação mais saudável

Um levantamento realizado na General Motors apontou que funcionários ativos fisicamente geraram US$ 250 a menos em custos de saúde para a empresa do que os funcionários inativos, mesmo considerando variações de peso e IMC. O estudo concluiu que fazer com que os funcionários se exercitem uma vez por semana poderia economizar 1,5% do orçamento de saúde das empresas. 

Apesar do notório benefício financeiro, este não deve ser o único ponto a se observar para que as empresas estimulem a saúde física dos colaboradores. Entre as ações que o RH pode adotar estão, por exemplo, a criação de clubes de caminhada, sessões de treinamento de saúde, assinatura de academias de ginástica, mais estações de águas no escritório e até a oferta de almoços saudáveis no escritório. 

Trate o cuidado com a saúde de forma holística

A saúde não pode ser vista de forma unilateral, mas, sim, a partir de um conjunto robusto de atitudes que considere todas as frentes que se referem à saúde. Ou seja, não basta criar programas voltados à saúde física sem pensar em estratégias de cuidado à saúde mental, financeira, social e até profissional. O tal employee well-being precisa seguir uma sequência de acolhimento que considere cada colaborador de forma integral e individualizada. 

Cuide melhor dos pacientes com doenças crônicas

No Brasil e no mundo, grande parte da força de trabalho convive com uma ou várias condições crônicas. De doenças cardíacas e diabetes ao câncer, são pessoas que precisam lidar com dores físicas e mentais, mas, muitas vezes, não cuidam bem das próprias condições. Realizar um levantamento do perfil de saúde, desenvolver programas de avaliação de risco e criar grupos de apoio a tabagistas, por exemplo, podem ajudar os colaboradores a viver com menos risco e se tornarem mais produtivos. 

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