Dia a dia do RH
January 2022

Os seus colaboradores estão pensando em pedir demissão e você nem percebeu

Os EUA estão passando por uma crise ocupacional que atinge todos os setores e indústrias. Só em outubro do ano passado, 4,2 milhões de trabalhadores pediram demissão no país, de acordo com o Departamento do Trabalho. Batizado de “A Grande Renúncia”, o movimento parece estar desembarcando no Brasil e se as empresas não agirem rápido em breve também vão precisar lidar com uma ausência incapacitante de mão de obra. 

Um levantamento realizado pela Robert Half, consultoria de recrutamento, mostrou que 49% dos empregados pretendem buscar novas oportunidades de trabalho em 2022. Quase metade dos 1.161 entrevistados pela pesquisa demonstraram o desejo de mudança e os motivos são quase óbvios: 37% querem um salário maior; 31% almejam uma mudança de carreira; 19% desejam inovar ou aprender algo novo; 17% buscam realização pessoal; e 12% querem mais qualidade de vida.

Visto como um momento simbólico que demonstra como a nova geração de trabalhadores não se apega a trabalhos exploratórios, a Grande Renúncia é uma tendência que deve se arrastar por todo 2022, enquanto o próprio conceito de trabalho como conhecemos também muda. A verdade é que a possibilidade de trabalhar remotamente, a busca por rotinas flexíveis e a maior preocupação com a saúde mental são combustíveis para esta agitação no mercado.  

Se há algumas décadas, as pessoas permaneciam anos em empresas que não gostavam apenas porque precisavam pagar as contas, a tendência agora é mudar mais vezes de trabalho em busca de alegria, satisfação profissional e pessoal. Neste cenário, as instituições que quiserem se manter atualizadas e capazes de contar com os melhores talentos precisam, mais do que nunca, se adaptar. 

Não adianta pedir aos candidatos de um processo seletivo que eles tenham brilho nos olhos se a própria instituição não for capaz de criar um ambiente onde isso aconteça naturalmente. Competir por talentos oferecendo nada além de más condições de trabalho, salários baixos e poucas perspectivas de crescimento é tão improdutivo quanto reclamar das mudanças que estamos vivenciando. 

O RH, os líderes e os gestores precisam entender as necessidades e demandas deste novo grupo de profissionais e atuar de forma assertiva para supri-las. Isto vale desde aspectos como uma cadeira de trabalho confortável e um salário competitivo até novos formatos de trabalho, planos de carreira estruturados, o ato de demonstrar uma preocupação explícita com a saúde mental dos colaboradores, além, claro, de empatia. 

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