Dia a dia do RH
January 2022

Promover o bem-estar financeiro também é uma estratégia de saúde

A inflação em alta, o emprego em baixa e uma pandemia alimentaram um cenário desolador. Com dificuldades para quitar dívidas, obrigados a reverem metas de vida e sem dinheiro no banco, as pessoas sofrem com noites mal-dormidas, alimentação ruim e pouco foco na própria saúde física e mental. Diante desta conjuntura, as empresas precisam entender que promover o bem-estar financeiro também é uma estratégia de saúde. 

Para se ter ideia, o número de brasileiros que vivem na pobreza quase triplicou em seis meses, de acordo com a FGV, ao mesmo tempo que, segundo o Instituto Locomotiva, o percentual de brasileiros na classe média caiu de 51% em 2020 para 47% em 2021. Isso sem contar o poder de consumo da classe C, que caiu quase 10%, conforme mostra levantamento da consultoria Tendências. 

Há quem se engane que as tribulações financeiras não interferem no rendimento profissional e na produtividade dos colaboradores. No entanto, a falta de dinheiro é um fator agravante para o surgimento de crises psicológicas, transtornos mentais e até problemas de coração. Talvez não seja uma coincidência, portanto, que o número de pessoas diagnosticadas com crises de ansiedade e síndrome de burnout estejam tão em alta no país. 

Além disso, o acúmulo de dívidas e o mau controle do dinheiro podem levar ao cancelamento do convênio médico, compra de alimentos menos saudáveis e o planejamento inadequado da aposentadoria, entre outras ações prejudiciais. Diante de tantos indícios de que os desafios financeiros podem ser causadores ou estimular situações que afetam as emoções, o desempenho profissional e a saúde da população, é fundamental que as empresas assumam um papel de protagonismo na busca de soluções para este problema. 

Duas ações práticas que o RH da sua instituição pode adotar agora para aumentar o bem-estar financeiro dos colaboradores.

 

Analise se os salários estão compatíveis com o mercado

É importante que a empresa entenda o impacto que ela exerce nas finanças dos colaboradores. Além de ajudar a atrair e reter talentos, oferecer um bom salário, de acordo com as expectativas do mercado, garante a eles mais segurança e felicidade no trabalho. Atente-se, também, a itens como auxílio-transporte, vale-refeição, plano de saúde e outros benefícios corporativos. 

Invista em educação financeira

Dois em cada três adultos no mundo são analfabetos financeiros, de acordo com uma pesquisa global realizada pela S&P Global Finlit Survey. O Brasil ocupa a 67ª posição entre os 143 países analisados por este estudo. Ou seja, é bem provável que os seus colaboradores não tenham controle sobre as próprias finanças. Criar um projeto de educação financeira na sua empresa pode ajudá-los neste processo. 

Ofereça treinamentos, workshops e palestras com especialistas no tema. Se possível, avalie oferecer benefícios corporativos focados nas finanças, como apps de controle financeiro e consultorias especializadas. Agindo desta forma, as empresas podem deixar de ser vistas como um navio furado que prejudica o time para se tornarem responsáveis por manter de pé seus colaboradores nestes momentos de atribulação.

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